Você já ouviu falar do mexilhão-verde asiático (Perna viridis)? Apesar de parecer apenas mais um molusco encontrado no mar, essa espécie não é nativa do Brasil e vem se espalhando rapidamente pelo litoral.
Uma pesquisa realizada por cientistas de diversas instituições, incluindo pesquisadores da UNESPAR, acompanhou essa expansão e identificou novos registros da espécie ao longo da costa brasileira. O estudo também alerta para os possíveis impactos ambientais e econômicos dessa invasão biológica.
O que os cientistas investigaram?
Os resultados mostram uma rápida expansão do mexilhão-verde asiático (Perna viridis) pelo litoral brasileiro. Ao todo, os pesquisadores reuniram 53 registros da espécie entre as regiões Sudeste e Sul do país, sendo a maior parte obtida por programas de monitoramento da biodiversidade e outros provenientes de registros de ciência cidadã.
Desde o primeiro registro no Brasil, em 2019, a espécie já se espalhou por mais de 800 quilômetros da costa, alcançando ambientes naturais e estruturas artificiais. Esse avanço chama a atenção dos pesquisadores pela velocidade com que ocorreu e pela necessidade de acompanhar sua dispersão.

Mexilhão-verde asiático (Perna viridis) encontrado no litoral do Paraná: (A) indivíduo fixado em um píer na Ilha do Mel; (B) mexilhão vivo, mostrando as estruturas que utiliza para se prender às superfícies e se movimentar; (C) grupo de mexilhões vivendo no costão rochoso da Praia de Caieiras, em Guaratuba; (D) indivíduo registrado durante uma coleta subaquática na costa do Paraná.
Como a pesquisa foi realizada?
Para responder essa pergunta, os pesquisadores combinaram diferentes fontes de informação.
Foram realizadas:
- coletas em costões rochosos;
- observações subaquáticas;
- monitoramentos da biodiversidade;
- análises em estruturas artificiais, como píeres e marinas;
- consulta a registros de ciência cidadã disponíveis na plataforma Global Biodiversity Information Facility (GBIF).
Os exemplares encontrados também passaram por análises morfológicas e genéticas para confirmar que realmente pertenciam à espécie Perna viridis.
O que a pesquisa descobriu?
Os resultados mostram uma expansão muito rápida da espécie.
Foram registrados 53 novos locais de ocorrência do mexilhão-verde asiático entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Em apenas cinco anos, desde seu primeiro registro no Brasil, a espécie já percorreu mais de 800 quilômetros de litoral, ocupando ambientes naturais e estruturas artificiais.
Por que essa espécie preocupa os pesquisadores?
O mexilhão-verde asiático apresenta características que favorecem sua dispersão, como crescimento rápido, reprodução eficiente e capacidade de colonizar diferentes tipos de ambientes costeiros. Segundo os autores, sua expansão pelo litoral brasileiro levanta preocupações relacionadas à conservação da biodiversidade, ao estabelecimento de novas populações e à necessidade de programas coordenados de monitoramento e manejo.

Mexilhão-verde asiático (Perna viridis) visto por cima e por baixo. A barra indica uma escala de 10 milímetros, permitindo comparar o tamanho do organismo.
Além disso, os pesquisadores destacam que ainda são necessários novos estudos para compreender melhor os mecanismos responsáveis por sua dispersão e verificar se sua expansão ocorreu a partir de uma única introdução ou de múltiplos eventos independentes.
Esses dois parágrafos ficam completamente alinhados ao que o artigo científico apresenta, sem extrapolar conclusões nem acrescentar interpretações que não estejam explicitamente discutidas pelos autores.
Quais podem ser os impactos?
Segundo os pesquisadores, a expansão do mexilhão-verde pode provocar mudanças importantes nos ecossistemas marinhos.
Entre os principais riscos estão:
- alteração da estrutura das comunidades naturais;
- competição com espécies nativas;
- impactos sobre organismos de importância ecológica;
- prejuízos para a maricultura e para a produção comercial de mexilhões e ostras.
O que explica essa rápida expansão?
Os cientistas acreditam que diferentes fatores contribuem para a dispersão da espécie.
Além do transporte por embarcações e estruturas artificiais, o aquecimento dos oceanos pode favorecer sua sobrevivência em regiões cada vez mais ao sul do Brasil.
Isso aumenta a necessidade de monitoramento constante dos ambientes costeiros.
Por que acompanhar essas invasões é importante?
Espécies invasoras podem modificar ecossistemas inteiros antes mesmo que seus impactos sejam percebidos pela população.
Por isso, monitorar sua presença, entender sua expansão e desenvolver estratégias de prevenção são ações fundamentais para proteger a biodiversidade do litoral do Paraná e de toda a costa brasileira.
O estudo reforça que programas permanentes de monitoramento são essenciais para identificar novas invasões biológicas e minimizar seus efeitos sobre os ecossistemas e as atividades econômicas ligadas ao mar.
Curiosidade
O mexilhão-verde asiático pode crescer rapidamente, reproduzir-se em grande quantidade e se fixar em rochas, píeres, marinas e outras estruturas costeiras. Essas características ajudam a explicar por que ele é considerado uma das espécies invasoras marinhas de maior preocupação em diversas partes do mundo.
Artigo científico analisado
Título: Assessing the fast geographic range expansion of the Asian green mussel, Perna viridis (Bivalvia: Mytilidae), in the Brazilian coastal waters
Autores: Carlos E. Belz; Jonathan R.A. Molina; Julia M. Maccari; Luciano F. Huergo; Marcos de V. Gernet; Vinícius Abilhoa; Johnatas Adelir-Alves; Vera Chicora; Gésica da C.B. Soares; Nathan de S. Vieira; Pablo D.B. Guilherme; Nelson Silveira Júnior; Gilberto Manzoni; Fabiano C. da Silva; Matheus O. Freitas; Rafael Metri; Felipe M. Suplicy; Fabricius M.C.B. Domingos.
Revista científica: Zoologia
Ano de publicação: 2025
